Nasce em Barmen Friedrich Engels, teórico revolucionário alemão cuja obra é inseparável da de Marx, com quem escreverá, aos 27 anos, o Manifesto do Partido Comunista.
terça-feira, novembro 28, 2006
28 DE NOVEMBRO: DIA DO ENGELS
Nasce em Barmen Friedrich Engels, teórico revolucionário alemão cuja obra é inseparável da de Marx, com quem escreverá, aos 27 anos, o Manifesto do Partido Comunista.
sábado, novembro 25, 2006
O DIA DE HOJE
quarta-feira, novembro 22, 2006
Lula reconhece em Vilhena ex-colega de metalúrgica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passou por Vilhena na tarde de segunda-feira, 20, aproveitou os 15 minutos de sua estada para cumprimentar pessoas que foram vê-lo no aeroporto Brigadeiro Camarão. Dentre os populares, estava um ex-colega dele, o funcionário público Oscar Rocha, 56 (na foto com o filho, Adriano, comemorando a vitória de Lula em outubro), natural de São Bernardo do Campo (SP) e morador em Vilhena, onde trabalha na Ceron (Centrais Elétricas de Rondônia). Durante oito anos, Oscar e Lula trabalharam juntos, no mesmo turno, nas indústrias Villares, do setor de metalurgia.
Mesmo com o tempo apertado, Lula, como sempre, quebrou o protocolo no aeroporto local e se dirigiu aos admiradores que se acotovelavam nas proximidades. Ao passar por Oscar, que estava atrás de uma grade de proteção, o presidente chamou-o pelo nome e exclamou: “Você por aqui, Oscar!” O ex-colega ficou feliz com a lembrança daquele com quem conviveu de perto entre 1970 e 1978.
“A gente saía às 3 da manhã da metalúrgica e ia comer buchada de bode num bar chamado Mineiro do Norte. E às vezes jogávamos futebol de salão na quadra da indústria”, recorda Oscar, que se orgulha desta história. Antes de se notabilizar como sindicalista, Lula foi eleito presidente da Associação dos Empregados da Villares, em 1971. “E ali estava evidenciado o líder atento às necessidades dos trabalhadores. Lula construiu um hospital para os metalúrgicos e seus familiares”.
Em Vilhena, o funcionário público não fez questão de se apresentar ao presidente. Humilde, disse que “conhece o seu lugar” Ficou em “meio ao povão”, conforme explicou à FOLHA. Militante do PT, Oscar já presidiu o partido e foi candidato a vereador em Vilhena. Recorda de toda a história que culminou na construção da maior agremiação de esquerda América Latina, a princípio tida como comunista, radical ou, simplesmente, o “partido dos barbudos do ABC”.
“Eu sei até do simbolismo da barba do Lula”, conta Oscar. Ele relembra que em 1977, Lula, já presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, liderou um movimento grevista nas Indústrias Villares. Os trabalhadores, “para provocar o comentário de que a grana estava curta até para a gilete”, resolveram deixar a barba crescer, algo que não era aceito à época na empresa. Lula nunca mais cortou a sua.
Depois de deixar São Paulo, Oscar se encontrou com Lula. Ele esteve em Rondônia durante a “Caravana da Cidadania”, em 1994, e após o Massacre de Corumbiara, em 1995.
Corrupção é apontada como maior problema de Vilhena em audiência do Ministério Público
GENTE DE RONDÔNIA
ZÉ DA GAMELA: O ARTESÃO DA FLORESTA Madeiras cujo destino seria, geralmente, as fornalhas ganham formas utilitárias e propiciam renda para um velho morador de Chupinguaia (sul de Rondônia). O artesão José Joaquim dos Santos, o conhecido Zé da Gamela, aproveita tocos e tábuas sobrados nas serrarias da região para a fabricação de utensílios domésticos e objetos de decoração, como porta-chapéus, pilões, colheres, espadas, portas-caneta e –claro– gamelas de todos os tipos para fazer jus ao seu apelido.
Zé da Gamela é figura conhecida em Chupinguaia. Para falar de seu ofício, ele recebe as pessoas com um sorriso estampado no rosto e um "bom dia" animado na ponta da língua. Com orgulho, mostra muitas das suas peças. As mais vendidas, em terra onde dominam os sulistas, são as tábuas de temperar carne e espetos de churrascos.
Aos 60 anos de idade, 30 deles vivendo em Chupinguaia, Zé da Gamela nasceu no Espírito Santo. A maior parte de sua vida, passou roçando mato pra fazendeiros de Rondônia e de Minas Gerais. “Não aprendi a escrever nem meu nome”, conta. Já a arte de aproveitar madeira, ele aprendeu com um irmão mais velho. E desde 1991 trocou a enxada da lavoura pela arte de lavrar madeira. Começou a fazer do artesanato o seu meio de vida, na oficina construída em madeira numa esquina da Tancredo Neves, a principal avenida da cidade.
O esforço do artesão é nítido. Zé tem as mãos calejadas de tanto usar ferramentas rudimentares, como o enxó, a plaina e o serrote. Ele não tem torno e nem lixadeira elétricas. “Faço tudo no próprio muque”, diz ressaltando que o seu sonho é ter mais recursos para melhorar o acabamento das peças. Atualmente, o resultado são produtos rústicos, mas muito bem feitos graças ao esforço do já legendário Zé da Gamela.
quinta-feira, novembro 16, 2006
"Mídia brasileira é ameaça à democracia"
O jornalista Paulo Henrique Amorim está empenhando na batalha pela democratização da mídia. Boa parte de seus textos, publicados no site Conversa Afiada, condena o monopólio e a feição golpista do jornalismo brasileiro. ''Essa mídia, como está aí, é uma ameaça à democracia''.
Aos 64 anos, formado em Sociologia, Paulo Henrique acredita que veículos tradicionais e conservadores não têm saída e tendem a piorar. Mas a Veja, aponta ele, avançou ainda mais no radicalismo: ''Hoje, ela é mais do que conservadora. É uma revista de extrema direita''. Em sua opinião, o que a mídia fez no segundo turno configura um golpe - e a bandeira da liberdade de imprensa é usada como falácia para justificar desmandos dos jornalistas.
Paulo Henrique também ataca a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, que ficou restrita à classe média. A medida, segundo ele, deixou as redações sem ''proletários'', sem profissionais com ''sentimento de solidariedade''.
Acho que o presidente Lula está, de certa maneira, sitiado pela imprensa escrita e por uma boa parte da imprensa de televisão. Não é por acaso que a empresa líder no jornalismo televisivo, que é a TV Globo, contribuiu para aquilo que considero o golpe da mídia no primeiro turno.
O governo Lula deveria dar o salto tecnológico e, entre outras providências, investir maciçamente na comunicação pela internet. A minha questão é a da democratização da informação numa sociedade complexa, diferenciada, desigual, como a brasileira, que tem a mídia que tem. Talvez seja a batalha mais interessante que a minha geração de jornalistas possa travar neste momento: contribuir para democratizar a mídia.
Segundo o jornal New York Times, a vitória do presidente Lula foi ''esmagadora'' - adjetivo que nenhum jornal brasileiro usou. Foi uma vitória acachapante, mas também uma vitória ideológica. No segundo turno, Lula jogou a campanha para a esquerda, para os traços principais do trabalhismo brasileiro, a começar pela questão da privatização. Pessoalmente, tenho uma série de restrições a isso. Não vejo a privatização como um bicho de sete cabeças.
Independentemente da minha opinião, o presidente Lula jogou a discussão para o eixo central do pensamento trabalhista no Brasil - que é a questão da nacionalização, da estatização, da integração do Estado com a economia. Ele foi lá para trás, foi buscar Getúlio Vargas, Jango, Petrobras, Eletrobras. Ele não só ganhou com a maioria esmagadora do povo brasileiro. Usou também uma linguagem mais trabalhista e mais ideológica do que foi no primeiro turno e do que foi nas eleições de 2002.
O que está acontecendo no Brasil é um fenômeno típico da América Latina: correntes políticas conservadoras controlam os meios de comunicação tradicionais - a chamada mídia tradicional. E não tem saída. Porque essa mídia tem de ser fiel ao público dela, não pode correr o risco de tentar conquistar um outro público e perder o atual, que é um público conservador, tradicional.
Além do mais, ela precisa ter uma forte coloração partidária e política para manter a fidelidade de seu consumidor. Ou seja, essa mídia tradicional que está aí não vai mudar. Ela deve até piorar - deve aprofundar o compromisso ideológico com as correntes conservadoras do país.
Não é por acaso que o ídolo dessa corrente conservadora que se expressa na mídia brasileira, sobretudo na mídia impressa, é o Fernando Henrique Cardoso - que, por uma armadilha do destino, uma peraltice da história, se tornou o mais legítimo sucessor do Carlos Lacerda. Nas eleições, ele dizia que precisávamos de um Lacerda. Não precisávamos de um: ele era o Carlos Lacerda.
SEM SAÍDA
Essa mídia, como está aí, é uma ameaça à democracia. O professor Wanderley Guilherme dos Santos tem uma frase definitiva: ''Esta mídia tem o poder de provocar crises''. É essa a força da mídia conservadora brasileira, como é a da mídia do México, do Chile, da Argentina e da Venezuela. Diz o professor: ''Em nenhuma democracia madura do mundo, a mídia tem o poder que tem no Brasil''. É uma anomalia.
VEJA E A EXTREMA DIREITA
Liberdade de imprensa é todo mundo - todos os grupos, facções e minorias - ter a possibilidade de expor suas idéias. E na mídia conservadora brasileira, especialmente na mídia impressa, isso não é acontece. A cobertura dessa eleição foi distorcida, parcial, engajada e partidária.
O objetivo, durante todo o governo Lula, foi abreviar o mandato do presidente. A mídia jogou pelo impeachment desde o primeiro dia de governo. Esta é a minha opinião e é a opinião da professora Marilena Chauí, que eu respeito muito.
A prefeita Marta Suplicy, de um partido trabalhista, inaugurou uma avenida com o nome de um jornalista, que não era jornalista e que foi um dos maiores inimigos da causa trabalhista. Quando comecei a trabalhar no Jornal do Brasil, no Rio, havia um jornalista muito competente chamado José Silveira. Dizia ele que, quando o Aarão Steinbruch aprovou no Senado a lei do 13º salário, o Roberto Marinho fez um editorial dizendo que o trabalhador brasileiro saberia rejeitar essa manifestação populista. E foi esse camarada que a Marta Suplicy resolveu homenagear como ''jornalista''.
Muitas vezes, aqueles que estão nas redações também têm dificuldade de enxergar as coisas por um outro viés...Mas aí está uma entrevista que fiz aqui, no Conversa Afiada, com esse grande jornalista, esse grande brasileiro, chamado Mauro Santayana. Ele diz que os jornalistas perderam a compaixão, o sentimento de solidariedade, provavelmente por causa dessa nefanda lei - nefanda! - que obriga jornalista a ser formado em jornalismo.
Agora só existe jornalista de classe média - não tem mais um proletário nas redações. Quando comecei a trabalhar em jornal, trabalhei com muitos proletários e filhos de proletário. E isso não tem mais - é tudo mauricinho. E eles próprios são mais conservadores que seus patrões.
E acatam o que vem da chefia?Não é que acatam apenas. Eles transcendem o conservadorismo do patrão.
Ou seja, essa história de que os jornalistas compraram a versão do delegado porque teriam sido pressionados por suas chefias...Duvido. Fizeram, alguns deles, com muito entusiasmo.
quarta-feira, novembro 15, 2006
O DIA DE HOJE

1889 - Dia da República
O marechal Deodoro da Fonseca (foto), à frente da tropa, proclama a República e preside governo provisório. Começa a República da Espada, fase progressista que precede a República Velha. Mas a participação popular é minguada: "O povo assistiu a tudo bestializado", denuncia o republicano avançado Aristides Lobo.
1839:Os legalistas retomam Laguna, SC; fim da ofensiva farroupilha; Garibaldi a custo rompe o cerco em 3 barcos. Batismo de fogo de Anita Garibaldi.
1894: Posse de Prudente de Morais inicia 12 anos de presidentes do PRP, e 36 de hegemonia do latifúndio cafeeiro. Nasce a República Velha.
1932:Congresso Revolucionário, reunindo ex-tenentes, decide fundar um novo PSB (Partido Socialista Brasileiro).
1933:A Constituinte começa a trabalhar.
1961:Congresso Camponês em Belo Horizonte, 1.500 delegados. Campanha pró-reforma agrária. Jango comparece e apóia.
1965:Greve de 17 mil mineiros de cobre no Chile.
1969:Marcha de 250 mil em Washington, o maior ato contra a Guerra do Vietnã, liderado por comitê de 100 entidades pacifistas. Até ex-combatentes participam.
1970:Os secessionistas da Biafra rendem-se na Nigéria.
1986:Eleição da Constituinte congressual e de governadores e deps. estaduais. O PMDB vence graças ao Plano Cruzado, finado em 21/11.
1989:1º turno da 1ª eleição presidencial em 29 anos; Collor (28% dos votos) e Lula (16%) vão para o 2º turno.
1991:Índios Coruba atacam madeireira que invadiu sua terra no vale do Javari, AM.
Editor da Revista Carta Capital ganha processo contra Veja
No estilo provocador que destaca sua coluna na Veja, sob o título O Mensalão da Imprensa, Mainardi afirmou que Mino Carta (por ironia o primeiro editor da Veja, nos idos de 1968) estaria “subordinado a Carlos Jereissati”, tendo por “missão atacar Daniel Dantas e de defender a ala lulista representada por Luiz Gushiken”, e que isso o equipararia aos “mensaleiros”.
segunda-feira, novembro 13, 2006
26 ANOS DEPOIS...
Nesta segunda-feira, 13, está fazendo 26 anos que o alagoano Aldo Rebelo foi eleito presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes). Por coincidência, neste mesmo dia ele, hoje presidente da Câmara dos Deputados pelo PCdoB de São Paulo, assume interinamente a Presidência da República --o primeiro comunista no posto-- em decorrência da viagem de Lula a Venezuela.O DIA DE HOJE
1922:4º Congresso da 3ª Internacional, admite o Brasil como “simpatizante”. O delegado do Brasil, Bernardo Canelas, tem atuação confusa.
1967: Golpe militar no Togo.
1980:Eleição direta na UNE, 380 mil votantes: Aldo Rebelo presidente.
1980:O Congresso aprova a volta do voto direto para governador e o fim (só em 1987) dos senadores biônicos.

1982:Morre em Salvador o mestre Pastinha (foto à direita), 93 anos, fundador da capoeira de Angola, patriarca de todos os capoeiristas.
Pastinha
1996:Lançado plano de “demissões Voluntárias” para funcionários federais: atingirá apenas 1/3 da meta do governo…
1998:O FMI anuncia empréstimo de US$ 41,5 bilhões ao Brasil, em troca do corte nos gastos públicos. Visa prevenir a crise do Plano Real, que arrebenta 2 meses depois.
Para governo Lula, reeleição de Aldo seria melhor caminho
A presença do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) no Palácio do Planalto, segundo analistas políticos, antecipa um cenário que pode se repetir nos dois primeiros anos do segundo mandato do presidente Lula. Por dois motivos: a doença do vice-presidente poderá eventualmente afastá-lo do poder outras vezes, e porque Rebelo é forte candidato à reeleição para a presidência da Câmara.
A medida em que as grandes legendas da base aliada não se entenderem - e isso é muito provável -, o PCdoB terá a chance de apresentá-lo como um tertius. Político estudioso e hábil, Rebelo ganhou a confiança das lideranças partidárias e principalmente mostrou no cargo que Lula pode contar com a sua lealdade.
O preenchimento da presidência da Câmara tornou-se a questão política mais delicada do processo de reforma do governo. E para esse caso, o Presidente Lula precisa contar com um aliado leal imune às picadas da mosca azul do poder.
O presidente da Câmara é o terceiro na linha sucessória presidencial, e o segundo na hipótese de afastamento político, ou por doença, do vice-presidente eleito.
As alternativas surgidas para suceder Rebelo, até agora não causaram entusiasmo. Dono da maior bancada e do direito regimental de indicar o presidente, o PMDB tem no páreo os deputados Geddel Vieira Lima (BA), Eunício Oliveira (CE) e Michel Temer (SP).
Geddel é novato na base aliada, depois de quatro anos de oposição retórica radical. Eunício foi ministro das Comunicações e é homem da confiança de Lula. Já Michel Temer é a pior hipótese para o governo. Temer é tido como um "tucano" no PMDB. Foi presidente da Câmara durante um dos períodos do governo FHC e nunca escondeu sua antipatia em relação ao atual governo e à própria figura do presidente Lula.
A bancada do PT está próxima de lançar o deputado Arlindo Chinaglia (SP), mas sabe que outros nomes do partido também ambicionam o posto.
Os quatro pretendentes criam problemas para Lula. Temer, Geddel e Eunício dificultariam a reeleição do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para presidir o Senado, e abririam o caminho para a eleição de José Agripino (PFL-RN) ou o anódino Marco Maciel (PFL-PE). Tudo o que Lula não deseja é um senador da oposição no comando do Senado, casa em que é precária a maioria governista.
Chinaglia ou outro petista poderiam expor o partido a um racha semelhante ao que levou em 2004 à eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE).
Em resumo, o comunista Aldo Rebelo parece a opção segura para que o governo possa se reformar sem riscos para a implicada equação do poder parlamentar.
domingo, novembro 12, 2006
O ato preconceituoso de Jô Soares

Durante recente entrevista com a jornalista Miriam Leitão, o apresentador Jô Soares aproveitou para fazer mais um comentário preconceituoso contra o presidente Lula. Foi aplaudido pela platéia de paulistas classe média, mas recebeu uma resposta ''sociológica'' e contundente no artigo do cientista social paraense Eduardo Lauande - publicamos abaixo.
No último dia 7 de novembro, o apresentador Jô Soares entrevistou em seu programa a jornalista de economia Miriam Leitão, ex-militante do PCdoB, presa durante a Ditadura Militar. Durante a entrevista, Miriam falou da história de vida de seu pai, natural de Garanhuns (PE), mesma cidade onde nasceu o presidente Lula. A partir da informação de que o pai da jornalista ''era analfabeto, depois se tornou professor e venceu na vida'', Jô Soares comentou, de forma preconceituosa, o fato do presidente Lula não ter conseguido fazer o mesmo. Como era de se esperar de um público composto majoritariamente por pessoas da classe média paulista, a platéia interrompeu a entrevista para aplaudir o absurdo falado por Jô Soares. Mas até a própria entrevistada, Miriam Leitão, ficou visivelmente constrangida. Na entrevista seguinte, com a cantora Baby Consuelo, foi Jô quem ficou sem graça quando teve que ovir de Baby que o ''presidente Lula é um homem iluminado e deu a volta por cima''.
O ARTIGO
O ato preconceituoso de Jô Soares
Por Eduardo Lauande
Eu tenho asco contra as pessoas que pautam suas vidas pelo preconceito.
Mas antes de desenvolver meu raciocínio, vou começar com uma história.
Anteontem [ 07.11.06 ] eu assistia o Jô Soares.
Ele entrevistava a jornalista global Miriam Leitão. Gostei da história de vida dessa mineira, ex-militante do PCdoB e presa política em 1972. Lá pelas tantas, Mirian Leitão falava do seu pai que “era analfabeto, depois se tornou professor e venceu na vida”.
Jô, todo atento, replicou de forma desconexa ao assunto: “Quem dera que um cidadão de Garanhuns tivesse conseguido isso”.
O que mais me assustou é que a platéia bateu palmas pela intervenção do Jô.
Minha esposa Débora, de imediato, disse: “Isso é muito preconceito! !!”.
Jô estava, é claro, mencionando o presidente Lula.
Não acredito que o Jô seja um preconceituoso de marca maior ou menor. Acontece que sua atitude foi preconceituosa.
Vejamos.
Lula não tem um cabedal acadêmico ou de eloqüência literária, mas é um sujeito extremamente inteligente. Com uma agilidade de intelecto fora do comum.
Eu lembro que Antônio Gramsci ao dizer que “todos nós, seres humanos, somos filósofos” demonstrou que um intelectual orgânico pode ser uma liderança sem erudição acadêmica, mas sua inteligência reside no vigor de seu comando político.
Assim eu indago: Lula não é um intelectual orgânico?
Ou posso perguntar de outras maneiras: o que é vencer na vida? É ter nível superior?
A refutação que faço é dizer que Lula não tem nível superior, mas foi fundador do hoje maior partido de esquerda da América Latina e quiçá um dos maiores do mundo. Lula presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo dos Campos. Liderou greves no tempo do arbítrio. Foi deputado federal e hoje é presidente reeleito.
Eu por princípios metodológicos evito comparações, mas nesse caso será que o presidente Lula, diante dos parâmetros preconceituosos do Jô, não venceu na vida?
O Jô, por espécime, não tem nível superior. E aí? O Jô não venceu na vida?
Acontece o seguinte, as elites brasileiras, dentro de uma perspectiva sociológica, evitam expressar verbalmente o que entendem ser preconceito. Mas o fato é que “os brancos e os letrados” como bem avaliava Sérgio Buarque continuam tendo acesso privilegiado às oportunidades sociais e também convidam à reflexão sobre os limites das concepções que vêem o preconceito apenas como resultado de atitudes e atos individuais, sem atentar para a dinâmica estrutural que extrapola essa dimensão individual.
Em termos de políticas, a questão que imediatamente se coloca é que embora seja necessário o compromisso individual com a recusa do preconceito e da discriminação esse compromisso não é suficiente para alterar a estrutura preconceitualmente desigual da sociedade brasileira.
Por isso se eu tivesse que responder pelo Lula, se ele venceu ou não na vida, eu responderia, mesmo entre tantas réplicas e fora do estudo das elites, pela sua atuação em favor da melhoria da educação neste país.
Começaria assim.
Há um aspecto – que eu creio que nós devemos insistir sempre – , que faz falta no mundo de hoje, que é o aspecto da tolerância, do respeito à diversidade. Se o mundo de hoje é um mundo que tem um lado preocupante é o da intolerância.
E essa intolerância, geralmente, se apresenta sob a forma do preconceito. Vê-se, hoje, países com grande desenvolvimento econômico que também são injustos. Não têm, talvez, o lado da injustiça social nossa, mais gritante, que é essa desigualdade baseada na distribuição de renda, mas nem por isso deixam de ser injustos, porque estão voltando a ser preconceituosos e a valorizarem a exclusividade de um grupo econômico e racial.
Parece que este país, finalmente, despertou para o problema das minorias sociais e a necessidade de sua inserção nas práticas da cidadania. É a dívida histórica, que já dura 500 anos e precisa começar a ser paga, sob pena de não se chegar aos mínimos padrões da prática de uma aceitável democracia.
E é exatamente, no mais apropriado dos campos, o da educação, que o movimento, por assim dizer redentorista, está tendo início e o Lula venceu na vida porque enquanto liderança franqueou o debate, como também, criou e ampliou conquistas. E sua forma jurídica, entre outras, se reveste da figura das cotas, para assegurar a essas minorias, a dos negros, a dos índios e a dos pobres (se é que a pobreza brasileira pode ser havida por minoritária!) o direito de matricular-se nas universidades.
Lula aí novamente venceu na vida porque ele pautou dois projetos de lei que lastreiam essas medidas: um, voltado para o ensino superior privado o ProUni (Programa Universidade para Todos), e outro, um texto a ser aprovado pelo Congresso Nacional, instituindo cotas de ingresso de alunos nos estabelecimentos de ensino superior federais.
Assim Lula venceu na vida porque sua política educacional de governo baseia-se clara e definitivamente nessa idéia das cotas preferenciais para a matrícula de negros, índios e pobres (todos egressos das escolas públicas do ensino básico), nos estabelecimentos de educação superior, sejam privados, sejam federais (as universidades estaduais e municipais aderirão à prática, se assim decidirem, em razão da autonomia de que gozam).
Eu visitei o site do MEC e percebi que o comprometimento com esses princípios é tal que o próprio texto do anteprojeto de reforma universitária proclama, no art. 53 § 1º.: “Os programas de ação afirmativa e inclusão social (das instituições federais de ensino superior) deverão considerar a promoção das condições acadêmicas de estudantes egressos do ensino médio público, especialmente afrodescendentes e indígenas”.
E Lula venceu na vida porque o ProUni está em pleno vigor: as faculdades privadas que aderirem ao programa trocarão bolsas por perdão de tributos e assim preencherão cotas destinadas às referidas minorias. E, quanto ao projeto sobre a reserva de 50% das vagas de todos os cursos universitários federais para egressos do ensino médio oficial, nesse percentual incluídas as cotas de negros e índios, ainda vai dar muito pano para a manga nas discussões que se travarão no Congresso Nacional.
Se me pedissem a opinião sobre essa matéria tão polêmica quão atual, eu não me furtaria a dizer que tenho em boa conta a instituição de uma política de cotas para a inclusão de grupos sociais mais carentes nos cursos superiores. E nisso estou em ótima companhia, eis que Noberto Bobbio, a quem ninguém pode acusar de antidemocrático ou de transgressor da lei, também nos seus escritos se mostrou favorável a tal política. Para estabelecer a igualdade de oportunidades entre desiguais, no ponto de partida é, por vezes, mister estatuir, na lei, a necessidade de distribuições desiguais de benefícios. “Por isso”, diz ele, “os programas head start, conquanto, intrinsecamente inigualitários, são extrinsecamente igualitários, já que conduzem a um nivelamento das oportunidades de instrução”.
Por fim o Lula venceu derradeiramente na vida porque em Garanhuns, nos anos 60 do século passado, umas das poucas coisas para “crescer” era ser retirante para trabalhar de peão na construção civil ou ser metalúrgico em São Paulo e lá quem sabe “vencer na vida”.
E hoje Lula pode dizer, com apenas a sua 4ª série do ensino primário (hoje ensino fundamental) que venceu no Brasil.
Convenhamos: que vitória!!!
Fonte: www.vermelho.org.br
CHÁVEZ FAZ FESTA POR LULA
O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou neste sábado (11) que a Venezuela vai fazer deste domingo um dia de festa pela visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para inaugurar a segunda ponte sobre o rio Orinoco, no sul do país. Para a oposição venezuelana, a visita é considerada um apoio político a favor do presidente Hugo Chávez, candidato à reeleição.O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou neste sábado (11) que a Venezuela vai fazer deste domingo um dia de festa pela visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para inaugurar a segunda ponte sobre o rio Orinoco, no sul do país.
"Amanhã chega o presidente do Brasil para nos visitar, e desde já declaramos dia de festa na Venezuela por esta ilustre visita do reeleito Luiz Inácio Lula da Silva", afirmou Chávez num comício em Maracaibo, oeste de Caracas.
Lula chega na noite deste domingo a Puerto Ordaz, sudeste, e volta ao Brasil na segunda-feira (13) à noite. Enquanto estiver fora, a presidência do Brasil será assumida interinamente pelo presidente da Câmara, deputado aldo Rebelo (PCdoB-SP).
Depois da inauguração da ponte, os dois presidentes visitarão a Faixa Petrolífera do Orinoco, especificamente o bloco petroleiro Carabobo 1, onde as estatais Petróleos de Venezuela (PDVSA) e Petrobrás têm uma empresa mista para certificação de reservas.
A ponte estava pronta há vários meses, mas Chávez se negava a inaugurá-la sem a presença de Lula, que se encontrava em plena campanha eleitoral, já que a obra foi construída com financiamento brasileiro.
A ponte de 3.156 metros tem quatro canais veiculares e um de via férrea e foi construída pela brasileira Odebrecht a um custo final próximo do um bilhão de dólares.
O DIA DE HOJE
...1823 - Dia de "sua majestade, o canhão"
1746:Batizado em S. João del Rei, MG, Joaquim José da Silva Xavier, que o país conhecerá por Tiradentes. (Não se conhece a data do nascimento).
1818:365 dias após a batalha de Chacabuco, O'Higgins proclama a independência do Chile.
1923: Hitler é preso após golpe frustrado de Munique.
1930:Miguel Costa, João Alberto e outros ex-tenentistas lançam no Rio a Legião Revolucionária.
1968:Golpe militar no Panamá.
1970:O Chile de Allende reata relações com Cuba.
1981:33º Congresso da UNE, Cabo frio, Rio de Janeiro. Elege Javier Alfaya presidente.
1986:Pela 1ª vez o Brasil asila refugiados políticos (7) do Chile do gen. Pinochet.
1989:Fim da 1ª campanha presidencial pós-64. Collor reúne 70 mil em Maceió; Brizola, 100 mil em Nova Iguaçu; Covas, 100 mil em Santos; Lula, 300 mil em São Paulo.
sábado, novembro 11, 2006
sexta-feira, novembro 10, 2006
PFL FOI O MAIOR DERROTADO NAS ELEIÇÕES
Desempenho

O DIA DE HOJE

...1943: Passeata Estudantil do Silêncio (foto), São Paulo, no dia em que pela Constituição deveria haver eleição presidencial. Há repressão, 2 mortos e 25 feridos. Os estudantes associam a guerra ao nazismo com a democracia.
...1910: Nasce em Coimbra Álvaro Cunhal, dirigente histórico do Partido Comunista Português, no qual ingressa, na clandestinidade, aos 17 anos, e onde milita até a morte, em 13/6/2005.
1937: Golpe do Estado Novo. A tropa cerca e fecha o Congresso. Outorga da Constituição Polaca (por ser copiada da Carta da ditadura polonesa do mal. Pilsudski). Prisões no RJ, SP, RS, BA.
1945:O TSE reconhece a legalidade do PCB.
1950:J. Arbenz elege-se pres. da Guatemala. Reforma agrária, nacionalizações, até o golpe pró-EUA de 54.
1960:Reunião dos 81 PCs em Moscou expõe as cisões no movimento comunista.
1969:O governo do general Médici proíbe notícias sobre o Esquadrão da Morte, guerrilha, racismo. índios.
1975:Independência de Angola, ex-colônia de Portugal. O Brasil é o 1º a reconhecê-la.
EUA terão pela 1ª vez um senador socialista

Além da maioria democrata, confirmada pela admissão da derrota republicana em Virginia, o próximo Senado dos Estados Unidos terá também o seu primeiro membro muçulmano... assim como o primeiro socialista auto-assumido. Este é Bernie Sanders (foto), 65 anos, eleito pelo pequeno estado de Vermont, na Nova Inglaterra.
Outra "novidade"
''A mais forte campanha de base''
O caso de Sanders é ainda mais inusitado, pois ele concorreu e se mantém como independente, embora para efeito dos blocos parlamentares engrosse a bancada democrata: e sabe-se que está tornou-se majoritária no Senado por apenas um voto de diferença. Atualmente ele também está na câmara baixa, onde é igualmente o único a se proclamar socialista.
Sanders venceu a disputa em Vermont após prometer que montaria ''a mais forte campanha de base que este estado jamais viu''. Deu certo, pois teve 65% dos votos, derrotando por larga margem o empresário Richard Tarrant, seu concorrente republicano. A folga aumentou porque o Partido Democrata decidiu não lançar candidato em Vermont, apoiando o postulante socialista.
''O extremismo de direita está morto''
Sanders faz uma avaliação otimista do resultado eleitoral nacional. ''Acredito que a política da direita extremista está morta no país. Isto é uma grande coisa'', declarou à TV, sobre a derrota do neoconservadorismo do presidente George W. Bush.Mas o senador eleito também expressa ressalvas em relação aos democratas. Ele disse que chamará os seus aliados a ''começar a barrar os poderosos interesses das corporações e os interesses monetaristas de Washington''. Mas agregou: ''Irão os democratas fazer isso? Eu não sei se farã ou não. Eu não sei até onde eles irão. Espero que o façam.''
Em mais de três décadas de vida pública, Sanders já se queixou muitas vezes da diminuta diferenciação entre os dois grandes partidos que dominam a política americana. Costuma chamá-los de ''o tweedle-dum e o tweedle-dee''. Mas reconhece o papel que os democratas tiveram para conduzi-lo ao Senado.
Um pequeno estado rebelde
Vermont, um pequeno estado da Nova Inglaterra que faz fronteira com a parte francófona do Canadá (o nome vem do francês e significa Monte Verde), é conhecido por sua rebeldia e atrevimento político, de conteúdo entre libertário e liberal (no sentido americano do termo, que corresponde vagamente a progressista). A tradição intriga os analistas, já que se trata de um estado em grande parte rural (sua economia se baseia no turismo de inverno) e o segundo mais branco do país (apenas 0,9% de hispânicos e 0,5% de negros).
Neste ambiente Bernie Sanders fez sua trajetória. Filho de uma família de imigrantes judeus-poloneses, que migrou para o Brooklyn, participou dos protestos nos anos 60-70 contra a Guerra do Vietnã, já foi prefeito de Burlington (a maior cidade do estado, com 40 mil habitantes) e desde 1991 elege-se membro da Câmara.
Apesar das simpatias progressistas dos seus conterrâneos, e de explicitar que seu socialismo é democrático, não tem sido fácil a carreira do agora primeiro senador socialista da história dos EUA. Ele diz brincando que será também o primeiro senador do país que já concorreu a um cargo majoritário obtendo apenas 1% dos votos -- resultado que obteve em duas outras campanhas para o Senado, nos anos 70.








